A reforma

 

Todo dia de manhã

Acordo com o barulho do martelo

Batendo, pregando, espetando,

Fincando não sei se dentro da cabeça

Ou na parede da casa.

Um estrondo sem aviso prévio

Moveu as estruturas

Abalou os mais seguros

Todos os lados tremeram

Todos os lados temeram

Reforma é essa que troca

O telhado já gasto

por palha queimada?

Quando chover vai molhar

Quando molhar vai sofrer

com razão.

Cansado de trabalhar

Tapando buraco até anoitecer

pesado da cabeça aos pés

Morto.

 

AINDA há tempo.

Desafio da Escrita #1 – escreva uma cena que inclua um guarda-chuva vermelho – a cena deve ter até 250 palavras.

Como era de costume, Diana enrolou mais que devia na cama e só conseguiu levantar depois do despertador ter tocado por 6 vezes, veja só. Hoje estava particularmente frio então ela achou que seria uma boa ideia ficar na cama até mais tarde. Já atrasada e vencida pelo barulho do relógio, se despiu para tomar uma ducha rápida. Afobada, já foi esfregando o sabonete no corpo mesmo antes da água do chuveiro esquentar. O que ela não contava é que seu apartamento, seu prédio e rua inteiros estavam sem luz. Quando percebeu, irritada por ter que tirar aquele sabão na água gelada, olhou pela janela do quarto e pôde ver uma árvore caída, vários fios de energia rompidos e o carro da manutenção parado à porta de seu edifício. Hoje vai ser um dia daqueles.

Rapidamente engoliu 2 bisnagas murchas, as quais sempre mergulhava no café com leite quente, deu um beijo no seu gato Charles e partiu em direção ao ateliê onde trabalhava.

O dia estava nublado e molhado, o que era comum para aquela época do ano. Mas Diana, atrapalhada, esqueceu seu guarda-chuva vermelho ao lado da porta do elevador, enquanto tentava organizar em sua bolsa as pastas e revistas que havia separado pra levar consigo naquele dia. Quando se deu conta, já no portão do prédio, percebeu que estava atrasada para uma reunião importante e resolveu partir na chuva mesmo, depois de um banho gelado, o que seriam algumas gotas de chuva na cabeça, afinal de contas?

Morando Juntos

Episódio 1 | Pack Your Bags and Don’t Come Back

– Malas prontas, pessoal!

Seis malas e meia. Entre roupas, trecos e firulas. Esse foi o balanço final das coisas dela que seriam transportadas.

E é claro que aquele velho sofá-cama seria rapidamente usurpado da casa dos pais. Afinal, os pombinhos precisariam depositar seus corpos cansados em algum canto.

Copos, talheres, pratos, potes e mais potes de sorvete não seriam perdoados. Tudo que for possível ou estiver dando sopa será surrupiado da “cozinha-xodó” da mãe, que não muito satisfeita acaba cedendo.

– O carreto chegou! Grita a tia por todos os cantos da casa.

Os pais dela ficam um tanto apreensivos, por mais folgada que ela tenha sido esses anos todos, não será fácil viver de vez sem a filha caçula.

– Ela cresceu, é uma mulher agora! *Suspiro*

O pai logo retoma a pose e avisa ao genro que não aceita devolução. Com certo aperto no peito, mas mantendo a convicção e sarcasmo rotineiros.

Ele sempre durão, sente sua missão como pai cumprida. Agora é ela por ela. E fecha a porta.

Oba! Casa nova, vida nova! Agora o jovem casal mora junto num apartamento pequeno, mas aconchegante.

– Homem, vá trabalhar! Agora temos contas a pagar.

Ele, pontualmente às 11 horas daquele sábado, parte pra labuta.

– Ahá! Agora sim a casa é toda minha!

Liga o som no talo. Prende os cabelos o mais alto que alcança sua cabeça e dança e canta como se não houvesse ninguém no condomínio de 6 blocos, 6 andares cada e 8 por andar. Parecia maluca.

– Independência! Liberdade! Essa sou eu! Uhú!

Até que numa das giradas de cabeça, não muito prudentes, ela avista uma baratinha. Bonitinha até. Bem ali, na frente dela. O bicho a encarava, como se manifestasse o incômodo por tal presença saltitante e barulhenta.

– Crendeuspai!

Ela voa pra cima do sofá-cama, encapado por um cobertor velho na sua nova pequena sala de estar.

Pega o celular e faz uma ligação com urgência.

– Papai, venha me buscar!!!

Seu primeiro dia sozinha, independente e destemida. Não durou nem 6 horas.

Lá estava ela de volta a casa dos pais, comendo o rango da mamãe e tomando a caipirinha do pai. Ô vida boa!

Só voltou pra casinha nova quando o cansado namorado e matador de baratas nas horas vagas a buscou e revirou o pequenino apartamento atrás da borrachuda. Não havia mais nada.

Independência… liberdade… BALELA!

A cidade

São Paulo. Grande metrópole. (You don’t say). Pólo industrial, financeiro, gastronômico, econômico, cultural, blá, blá, blá. São Paulo é uma cidade que eu amo, não posso negar. Apesar de seu trânsito caótico e violência que me fazem chorar gotas de sangue, posso dizer que a amo. Mas recentemente aconteceu algo que me despertou certo ódio pelas grandes cidades.

Vamos lá. No lindo feriado de páscoa, alguns amigos e eu fomos nos “aventurar “ (uhú)  acampando em uma prainha linda e praticamente intocada de Paraty – Rio de Janeiro.

Fizemos trilhas pesadíssimas, pelo menos pra uma asmática-fumante, beberrona e sedentária como eu.  Após andar cerca de 3 ou 4 horas, em meio à mata fechada, barrancos mortais e uma vista deslumbrante, chegamos ao tão desejado destino. Uma praia fenomenal, paradisíaca. Todo esforço fora recompensado ao simplesmente olhar aquele lugar.

Muito bem. A volta já não seria tão complicada. Um barquinho nos levaria de volta à outra praia em que estávamos acampados, não seria necessário pegar a trilha do gueto novamente.

Foi aí que tudo aconteceu. Uma tempestade voraz nos atingiu em cheio, em pleno alto mar. O barco virou, fomos cercados por tubarões e  não havia socorro.

Ah, eu imaginei assim, mas não foi nada disso. (Hehe. Trágico.)

Eu me peguei ali, em mar aberto. Sem ninguém em volta. Sem trânsito, sem correria, sem cobrança. Sem a pressão das cidades. Ali, no meio do “nada”, pude perceber e realmente ver como o mundo é grande.

Por um momento me senti triste. Pensei na minha insignificância, na minha pequenez. Depois, ao olhar aquele mar sem fim, ao observar a perfeição da natureza me senti bem novamente em fazer parte dela. De estar ali, totalmente vulnerável à sua vontade. De ser. Sentir.

Me dei conta do quanto aquele sentimento poderia transformar a minha vida e o modo que eu encaro o meu cotidiano, as pessoas e principalmente a mim mesma.

A cidade nos tira toda a noção de espaço. Seus altos prédios, tráfego e construções limitam nossa visão. Não é possível olhar pro horizonte. Não há horizonte. Não há céu. Não se vê à frente.
Temos de estar atentos a tudo e a todos, mas não prestamos atenção em nada. Olhamos pra tudo e pra todos, mas não percebemos nada à volta.

Esse aperto nos obriga cada vez mais a olhar pra nós mesmos e só a nós. Aí que tá a merda. Essa limitação de espaço nos tira a dimensão de tamanho do mundo. A cada prédio erguido é um mundo que cresce, mas em volta do nosso próprio umbigo.

Ganância, ego, poder, quem manda em quem, quem paga quem, quem fode quem. Eu não quero  viver em um mundo assim. Pelo menos não com essa cabeça.

A natureza nos deu tudo que precisamos pra sobreviver e viver bem, todos os recursos. A felicidade pode ser alcançada com tão pouco e estamos sempre querendo mais.

Já me pego pensando em interesses. Do interesse dos grandões de que a vida seja assim. De que não paremos pra observar. Eles nos distraem com coisas supérfluas para que não nos questionemos quanto à grandeza da vida. Para que não questionemos o que temos e o que está por vir. Conformidade.

O mundo é tão grande. Há tanto por descobrir. Há tanto pra ver. Posso dizer que ali consegui ouvir meus pensamentos. E com toda certeza, o mundinho em volta do meu umbigo sofreu um grande abalo do universo. Ele não será mais o mesmo.

Musicae

Fecha os olhos.

Ela começa a me acarinhar os ouvidos, adentrando os poros do meu corpo.

Cada pelinho se arrepia, cada pedacinho de mim. Eu pareço flutuar nesse êxtase de sentimento.

Um sentimento sem recíproca, cru.

Os pés já não são meus, se deixam levar pela multidão. Braços, mãos, dedos, cabelos, peitos inflados. Nada me pertence.

A respiração curta e ofegante transparece dentre meus dentes levemente separados. Percebo o encontro de duas almas que se completam e de uma forma orgástica trepam e salivam.

O suor se faz presente. Lambe meu corpo, molha minhas roupas, molha meus lábios já secos pelos gritos abafados.

Eu não pertenço a ninguém. Só à música. Com os olhos fechados meu mundo se torna esse.

E eu só me torno eu.

Encontro

Oba! Como estão?

Depois de algumas (muitas) semanas, cá estou, trazendo um novo testículo pra vocês. Quer dizer, textículo!!!

Piadas ruins a parte, espero que gostem.

Até mais,  playboyzada!

 

 

Encontro

 

Outra taça de vinho. Um papo normal. Nada encantador.

Não estava fascinada, mas também não estava se afogando no pote de sorvete vendo a novela das 9.

Algumas risadas, muitas delas forçadas.

Ela se pergunta como isso terminará.

Conversa vai e vem, em meia hora estariam na casa dele. Em menos de 20 minutos estariam nus e com mais 15 ela se perguntaria se o som que sai da boca dele é um ronco ou uma espécie de grunhido animalesco. Ela preferiria nem olhar. Por um momento sentiria nojo.

Ele estaria satisfeito? Pra ela não passaria de um sexo comum, nada de mais. Sem graça.

Ela iria ao banheiro e sentaria no vaso. Ali ficaria pensando se estava onde queria estar.

O papo não havia sido aquelas coisas, ela também não estava muito inspirada hoje.

Ele tinha um emprego mediano, pouco cabelo, um sorriso bem branco, mas com dentes ligeiramente tortos. Fora que o perfume dele era tão forte que chegava a dar enjoo.

Ela levantaria, abriria o armário, mexeria nas coisas daquele que, praticamente um desconhecido, poderia se tornar um namorado em potencial.

Tentava angariar pistas, pequenas coisas que ela, com seu jeito perfeccionista e minimalista, julgava como incompatíveis com seu estilo de vida.

Chegaria à conclusão de que ele parecera bem limpo e organizado. Seria um ponto positivo.

Voltaria pro quarto mais animada, porém aquele som projetado por ele a faria sentir um frio correndo pela sua espinha.

Ela o observaria bem dessa vez. Apesar do som angustiante, ela olharia em volta e consideraria morar ali, o apartamento era bem grande e espaçoso.

Reconsideraria, o sexo não havia sido tão ruim assim. Até que ele foi bem carinhoso.

Isso é bem raro. E olhando deste ângulo ele é bem charmoso.

Assim que ela percebesse o potencial do garanhão voltaria correndo pra debaixo das cobertas e o abraçaria como se fossem velhos apaixonados.

Em 2 anos se casariam, com 3 viria o primeiro filho. Um menino. Jorge.

Uma foto da família feliz em sua nova mesa de cabeceira a encheria de suspiros.

Um sorriso besta paira no rosto dela e ele a pergunta o motivo de tal interjeição.

Ela se vê de volta ao restaurante, com o mesmo copo de vinho na mão.

Ele sorri da cara de desconcerto da moça quando, arruinando tudo, ela percebe um pedaço de alface entre os dentes dele. Numa atitude normal ela diria que estava com dor de cabeça e que precisaria ir embora, afinal esse tipo de situação já lhe ocasionara muitos términos de relacionamentos de 2 horas e de até uma noite inteira.

Foi nesse súbito momento de questionamentos e quase desistência que ela lembrou daquele retrato de sua futura família feliz, inventada por ela mesma em um longínquo pensamento e a fez se controlar.

Sem pestanejar a moçoila arrancou um beijo apaixonado do nosso herói, ignorando totalmente o esboço do que outrora fora um vegetal entre seus dentes.

Em meia hora estavam na casa dele. Em menos de 20 minutos estavam nus e com mais 15 ela se perguntava se o som que saía da boca dele era um ronco ou uma espécie de grunhido animalesco.

Ela sorri e o abraça como se fossem velhos apaixonados.

Deep.

Olá pessoas!

Adorei a repercussão do primeiro post! Espero conseguir uma postagem nova por semana, vou tentar, ok?!

Antes de mais nada queria esclarecer que os textos nem sempre terão o mesmo tipo de narrativa, podendo variar em primeira e terceira pessoa.

Também não haverá um padrão do tema abordado, podendo ser em estilos completamente diferentes. Mas geralmente eles retratarão um único momento do personagem.

Aceito qualquer sugestão de tema, caso queiram mandá-los.

Bom, esse texto é um relato de uma garota em pleno transe psicotico, também  em função do consumo de drogas.

Pensamentos se confundem com alucinações que se confundem com a vida real.

Deep.

Já não sei mais o que é sonho ou realidade. Quando acordo, vago. Quando durmo, vivo.

Esse se tornou o curso da vida pra mim. Sei que tenho que parar. Tento parar. Compro mais 10 gramas. Vago.

Como pode ser o fim de uma pessoa há muito morta?

Os dias rastejam. Coragem e covardia fazem parte de mim. Quero acabar de vez com isso, mas não consigo, falta coragem, ou vergonha na cara. Engraçado é como a coragem surge da lama quando meto as caras na noite. E pra lama ela volta quando me vejo suja. O que é ridículo, por que me sinto assim em tempo integral.

Tem quem ache o contrário. Que sou gostosa quando me chupam até as orelhas. Talvez nem achem. Sinto nojo. Mas um dia eu paro. Tentei mais uma vez, mas precisei de grana.

Coisa mais suja. Um simples pico me leva às alturas e me tira do chão, da lama imunda.

Me sinto bem. Preciso de dinheiro, preciso agora. Quero chorar, mas eu to seca.

Me sinto seca e oca. Já não vejo beleza em merda nenhuma.

Deus? Que Deus? Quem é esse filho da puta? Ele paga bem? Hahaha você só pode estar brincando com a minha cara. Quer goste ou não o mundo real ta aí, esfregando a pica na sua cara, cuspindo em você. Só não vê quem não quer. Por mais invisível que sejamos.

Mundo lixo.

Entro em desespero, me descabelo. Eu vou parar! Tenho!

Não, daquela vez não foi culpa minha. Aquela vadia pediu pra ser roubada, é ela pediu!

Não consegui muita coisa, mas deu pra passar a noite.

Não sinto mais frio ou calor. Aqui onde estou sou imune a qualquer percepção de qualquer um dos sentidos. Não sinto nada nem ninguém. Não tenho pena de ninguém. Nem de mim.

Meu corpo já não é meu, sei que perdi. Na verdade eu to pouco me lixando.

Sei que já não há possibilidade de regeneração. Estou irremediavelmente fria.

Eu perdi. Me perdi em mim mesma.

Aperto bem os olhos. Quero dormir. Quero viver.


Pra começar

Texto que escrevi hoje durante uma tarde monótona.

Esse é o primeiro texto do Blog. Eu gostei bastante.

Até mais.


O bar é dos lugares mais ambíguos que se pode comentar.

Pode ser apenas um lugar de reunião, como um lugar de perdição. Um lugar alegre, um ambiente pesado. Boas companhias, más companhias. Jogos, bebidas, petiscos, sinuca, risadas altas, risadas tímidas, choros. Qual pessoa não se sentiria tentado em um cenário desses? Desperdício.

Rodeada de pessoas ela nunca se sentiu tão sozinha.

Ela acha que o vazio que a consome será preenchido a cada gole em seu copo.

Aos poucos, consumida em seu vácuo emocional, ela observa o quanto sua presença é pouco notada. Claro, sua calça jeans está surrada, aquele All Star verde já quase anda sozinho. A blusa de moletom preta nada evidencia seu corpo esguio.

Ela deseja não estar ali, se sente deslocada ao som dessas risadas escandalosas, vestidos decotados e cabeças vazias.

– Bia, você tá bem? – Esse som a distancia de seus pensamentos.

– To bem sim, Carol, relaxa. – Ela mentiu. Ela mentiu, pois não quer entrar no foco da conversa, já que todos a olharam esperando uma boa resposta. Afinal, ela não conhece praticamente ninguém na mesa e certamente ficaria muito tímida e retraída para abrir sua vida a todos.

Bia havia conhecido Carol há poucos dias em seu novo velho apartamento, onde morava agora com seu pai aposentado. As duas logo se entrosaram, mas ainda não tinham grande afinidade. A verdade é que elas eram muito diferentes

Bia só pensava em ir embora. O papo estava chato e ela só queria estar em seu quarto, ouvindo algum CD do David Bowie, quietinha. Só ela e o Bowie.

Era assim que ela passava horas e horas dos seus dias. Envolta em seus pensamentos, se sentindo uma estranha no mundo. Tentando entender por qual motivo fazia parte dele.

Há algum tempo ela já não tinha vaidade ou vontade de qualquer coisa.

Bia perdera sua mãe com 13 anos. Seu pai sofreu muito com isso e hoje vive tal qual um zumbi. Quase não a percebe em casa. Conversam apenas o necessário. Bia não o cobra. Pra ela era melhor que se mantivessem afastados.

Antes disso ela era uma menina alegre e cheia de vida. Bem diferente da jovem pacata e triste que se tornou com o passar dos anos.

– Bia, ta chovendo garota, vai ficar aí?

– Bia!

Carol desiste, parte numa corrida com os outros integrantes do grupo até encontrar abrigo no outro quarteirão da rua.

Bia fica ali por mais alguns segundos até realmente perceber que está chovendo e encontra a oportunidade perfeita para fugir dali.

É isso que ela faz.

Já molhada por causa da chuva e um pouco alterada por conta da quantidade de cerveja ingerida, ela parte pra direção oposta em que seus companheiros de bar foram.

Ela começa uma caminhada leve e sem pressa.

Lembra-se de como gosta do cheiro da chuva. Respira profundamente e sente aquele sentimento invadindo seu corpo através de suas narinas.

Ela olha pra trás e vê aquelas pessoas com quem estava até então. Percebe o quanto a chuva os desagradou, ensopando suas roupas e sapatos caros e fazendo seus cabelos perfeitamente alinhados adquirirem aos poucos outro aspecto. Ela abre um sorriso.

Feliz por ter se livrado daquelas pessoas, ela então se vê sozinha na rua. Todos fugiram. Ninguém além dela sente que a chuva veio pra limpar as ruas, tornando-as menos intragáveis.

Uma sensação boa de liberdade a domina. Há muito Bia não se sentia tão viva, tão pertencente a um mundo que não parecia seu.

Ela não vai sofrer uma grande transformação. Sua vida não vai mudar completamente. Ela não encontrará um bom emprego ou um grande amor tão cedo.

Mas ali, naquela rua, vazia de pessoas e sentimentos, ela se sentiu bem. Sozinha, ela se sentiu completa.